domingo, 26 de abril de 2009

Compra da Sun assusta o mundo Open Source.

Larry Ellison é um famoso ativista da estratégia competitiva. Estudante confesso da Arte da Guerra, de Sun Tzu, o executivo há muito adotou uma abordagem que confronta os interesses da Oracle contra os dos seus principais rivais - Microsoft, a IBM e a SAP, considerados 'inimigos' a serem abatidos.

Mas com a compra da Sun Microsystems, Larry Ellison caminhará por um terreno onde não poderá aplicar a maior parte dos seus tradicionais metódos. Os principais ativos da Sun - Solaris, Java e MySQL - consideradas 'joias' pela própria Oracle - e, por isso, responsáveis pelo desembolso de US$ 7,4 bilhões - estão intimamente ligados ao mundo Open Source.

Fato que torna a Sun, uma empresa completamente diferente das demais já incorporadas pela Oracle, observam analistas de mercado. Boa parte das ferramentas da Sun são disponíveis de forma gratuita e dependem dos esforços de um amplo ecossistema de desenvolvedores que criam e dão suporte para as aplicações, principalmente, àquelas baseadas na linguagem Java.

"Obviamente a Oracle vai precisar de uma mão menos pesada", observa Kenneth Chin, analista da Gartner. "Eles adquiriram vários ativos open source e precisam manter as comunidades envolvidas", completa. Nesses primeiros dias pós-aquisição da Sun, a Oracle pouco detalhou como fará esse gerenciamento. E há uma grande expectativa de como Larry Ellison vai traçar essa estratégia no mundo de TI.

De acordo com os analistas, é evidente que a Oracle trabalhará para fazer receita com os software, comprados com a Sun, nem que seja por meio de 'proteção dos atuais ativos' da companhia, que vive da receita gerada pelas licenças. Não à toa, o futuro do MySQL - base de dados open source comprada pela Sun e que passou a ser vista como uma ameaça para os programas de base de dados corporativos da Oracle - se tornou a mais imediata fonte de procupações.

Marten Mickos, ex-executivo chefe da MySQL, admite que a aquisição provocou 'calafrios' na comunidade open source. Mas admite que a manutenção do MySQL deve fazer parte dos planos desenhados por Ellison ao avançar sobre a Sun Microsystems. "Acho que o MySQL canibaliza a Oracle de qualquer forma. portanto, a Oracle pode muito bem se beneficiar diretamente do software", atesta.

Gary Reback, especialista em antitruste, é mais pragmático. Segundo ele, o destino do MySQL ainda é incerto. Ele observa que há uma chance das autoridades reguladoras - que precisam aprovar a transação - possam vir a obrigar a Oracle a se 'desfazer' do MySQL. Mas se isso não acontecer, acrescenta, o time de Ellison também levará a melhor. "Se não houver problema com os reguladores e a Oracle for autorizada a manter o programa, ela elimina; se repassar, quem vai querer sem os desenvolvedores? " indaga.

Uma das lideranças do mundo open source, Mitch Kapor, diz que o MySQL possui vida própria, que vai além do controle da Oracle. Isso porque, na sua opinião, o programa já se ramificou, ou seja, versões open source alternativas foram criadas e estão fora do controle da empresa de Larry Ellison.De qualquer maneira, sem o patrocínio de uma grande companhia - que era o caso da Sun - interessada em fornecer suporte ao núcleo de desenvolvedores para levar o projeto adiante, o MySQL pode vir a perder espaço, admite Kapor.

As intenções de Ellison para a plataforma Java também são alvo de várias especulações. Criada pela Sun como uma forma de se contrapor à crescente influência da Microsoft, a Java teve como grande mérito o fato de abrir um ecossistema de usuários, entre eles, a própria IBM, de quem a Oracle 'roubou' a Sun.

Para os analistas, se a empresa de Larry Ellison vir a minar ou a pertubar a rotina desse ecossistema, minará o valor da Java. Manter o equilíbrio com relação ao futuro do desenvolvimento da plataforma Java é, hoje, um dilema para a Oracle porque exige um 'delicado equilíbrio', um exercício pouco praticado por Larry Ellison, sublinha Bill Whymann, analista da ISI.

Posição contrária, no entanto, sustenta Bill Joy, co-fundador e ex-cientista chefe da Sun. "Sempre quisemos que a evolução do Java fosse participativa, mas a abertura total comprometeria a compatibilidade. Acredito que a Oracle compartilha desses valores, por isso não estou preocupado".

A Oracle - apesar de pouco adiantar detalhes - deixou claro que planeja ganhar dinheiro com Java de uma forma que a Sun não foi capaz de fazer - outra possivel fonte de conflito com os desenvolvedores de Tecnologia. Mais do que simplesmente elevar o custo da taxa de licenciamento, a Oracle pode tentar vir a cobrar uma pequena remuneração de toda aplicação rodando Java.

Se isso ocorrer, avalia o Gartner, haveria uma implicação considerável no mundo da mobilidade. Isso porque Java é embarcada virtualmente em todos os telefones celulares. Na prática, apenas a Oracle poderá responder a todas essas questões. Quando e como? Só Larry Ellison dirá.

Lida no Convergenciadigital, traduzida do Financial Times.

Minha nota:

Tem muitos preocupados, outros não...Será motivo pra se assustar?

A Oracle parece ter deixado claro que planeja ganhar dinheiro com Java de uma forma que a Sun não foi capaz de fazer, o que está deixando o pessoal da tecnologia de 'cabelo em pé'. Uma possível fonte de dinheiro para a Oracle será a cobrança pelo uso da JVM e da utilização de serviços otimizados das IDEs, como o NetBeans. Mas existem alternativas como o Firebird e ou o PostGreSql, e outros aí bons também que poderá substituir o MySql. E já para a JVM tem o OpenJDK. Além de ter no mercado uma ótima IDE de Open Source - o Eclipse, da Fundação Eclipse.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Agora essa é nova!! Oracle compra Sun por US$ 7,4 bilhões

A Oracle comprou a desenvolvedora do Java e fabricante de servidores para empresas Sun Microsystems por 7,4 bilhões de dólares, impulsionando a desenvolvedora de softwares corporativos no setor de hardware.

A Oracle, que está no mercado de banco de dados e de aplicações comerciais (conhecidas pela sigla ERP), pagará 9,5 dólares por ação em dinheiro para a Sun, de acordo com a Oracle, aumento de 42% em relação ao preço do seu fechamento na sexta-feira (17/04).

Excluindo tanto dívidas como o caixa acumulado pela Sun, a aquisição custará à Oracle 5,6 bilhões de dólares.

A aquisição da Sun segue outras compras feitas pela Oracle no setor de tecnologia nos últimos anos, como Siebel, PeopleSoft e BEA Systems.

O acordo é anunciado após a Sun ter se afastado de uma negociação com a IBM há algumas semanas.

Ainda que houvesse boatos sobre uma possível aquisição por parte da Oracle, a empresa nunca tinha tido uma participação nos setores de sistema operacional para servidores ou hardware.

A Oracle afirmou que o acordo com a Sun deve trazer mais receita à companhia no primeiro ano após a compra do que as aquisições da BEA Systems, PeopleSoft e Siebel juntas.

A Sun deverá contribuir com 1,5 bilhão de dólares ao lucro operacional da Oracle no primeiro ano após a fusão, número que deverá ultrapassar a marca dos 2 bilhões de dólares no segundo ano, anunciou a Oracle.

O fundador e CEO da Oracle, Larry Ellison, afirmou em conferência que o Java e o Solaris são os dois principais motivos pelos quais a Oracle comprou na Sun, aquisição que segue a movimentação da Oracle em comprar companhias com "produtos líder de mercado".

Classificando o Java como "o bem mais importante em software que já adquirimos", o executivo afirmou que o negócio de middleware Fusion, baseado em Java, envolveu também a aquisição da BEA Systems e está no caminho para se tornar tão grande como sua divisão de banco de dados.

A Oracle também considera o Solaris "de longe, a melhor tecnologia Linux disponível no mercado", razão pela qual bancos de dados da Oracle rodam no sistema mais que em qualquer outro, afirmou ele.

Os clientes corporativos da Oracle que usam ambos os produtos poderão experimentar novos benefícios pela integração técnica dos produtos.

"Conseguirmos integrar o banco de dados da Oracle a algumas das funções únicas do Solaris, fazendo com que ambos trabalhem junto e entregar, pela primeira vez, sistemas integrados - do banco de dados ao disco - otimizados para alto desempenho, estabilidade e segurança melhoradas, melhor gerenciamento e custos menores", afirmou Ellison.

O presidente do conselho da Sun, Scott McNealy, que dividiu apresentações com Ellison em diversas ocasiões pela proximidade anterior de ambas as empresas, afirmou que os interesses comuns que Sun e Oracle dividem tornarão a fusão uma simbiose para clientes.

Mesmo soando otimista, no entanto, o acordo é uma derrota pessoal para McNealy. Por anos, ele e Ellison lideraram suas empresas como duas figuras com posturas excêntricas, endereçando críticas conjuntas à Microsoft e brigando entre si em algumas ocasiões.

Ellison afirmou que a Oracle tende a integrar companhias compradas muito rapidamente em sua organização existente, e fará o mesmo com a Sun assim que o acordo for finalizado. A compra está sujeita a aprovações regulatórias e de acionistas.

Lida no Idgnow.

Minha nota: Basta agora saber se todo aqueles códigos Open Source (NetBeans IDE,Open Solaris Open Office, MySql) irão virar códigos Buy Source.

Isso é antigo!! "Sun compra MySQL por US$ 1 bi"

A Sun Microsystems pagará um bilhão de dólares para a companhia sueca de software MySQL, cujo banco de dados em código aberto é usado por alguns dos sites mais populares do mundo.

A Sun afirmou que o acordo melhorará sua posição no mercado de TI corporativa, parte de um mercado de banco de dados avaliado em 15 bilhões de dólares.

O linha de produtos da MySQL ajudará a Sun a dar maior suporte à plataforma de código aberto online LAMP, acrônimo para o sistema operacional Linux, o servidor web Apache, o banco de dados MySQL e as linguagens de programação PHP/Perl.

A força do MySQL nas ofertas de software como serviço - onde aplicações são oferecidas pela internet por um navegador - também são um acréscimo, afirma a Sun.

Bancos de dados são cruciais para aplicações online que ofereçam os mais amplos serviços, de e-commerce a redes sociais.

A Sun pagará 800 milhões de dólares em dinheiro e 200 milhões em opções de ações.

A compra da Sun acaba com a especulação de que a MySQL poderia se tornar uma companhia pública ao abrir seu capital para investimentos em um IPO.

O MySQL se tornou um competidor formidável para outros sistemas de banco de dados relacionáveis de companhias como Oracle e IBM. O próprio banco de dados é gratuito para ser baixado por usuários, e o MySQL ganha dinheiro oferecendo pacotes de suporte.

Com a compra, o CEO do MySQL, Marten Mickos, entrará na equipe executiva da Sun e o MySQL será integrado à divisão de Software, Vendas e Serviços da empresa, com planos de ser otimizado para rodar nos sistemas GNU/Linux, Windows e OpenSolaris.

A companhia afirmou que planeja criar uma equipe para integrar o MySQL, que tem cerca de 400 funcionários em 25 países, em suas operações.

A Sun disse ainda que ganhará nova distribuição em companhias como Intel, IBM e Dell pela relação que já tem com tais empresas.

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Lida no Idgnow